Capitalizar a finitude da existência humana

02-12-2023

Papel, caneta e um toque de inspiração para tentar compor uma breve reflexão sobre a beleza de um filme que acaba em tragédia.

Nascer, crescer, reproduzir-se e morrer. Este é o ciclo de vida considerado normal para todas as espécies viventes. Dependo das condições externas e internas, os três primeiros processos são compostos por muita beleza e experiências únicas, principalmente para os humanos, qu esão seres racionais, capazes de pensar no passado e no futuro. Todavia, aquele último pareces er fonte de muita dor e sofrimento, pelo menos para os que ficam. Ninguém escapa. Naverdade é o único processo de vida que toda a espécie vivente que respira tem a certeza deque lhe vai ocorrer com sucesso. É por isso que, tal como alguns, atrevo-me a afirmar que a vida é um filme que acaba em tragédia.

Um dia, o rei mais rico e sábio da história humana, Salomão, depois de observar o quotidiano dos seus semelhantes e toda a sua luta, sofrimento, alegria e orgulho que derivava do sucesso do ganho do sustento, sentiu-se motivado a escrever ''tudo é em vão, e é um esforço para alcançar o vento". Uma frase simples, e curta, mas que resume destino final do nosso percurso enquanto seres viventes: a morte, sem podermos levar NADA daquilo que tanto lutamos para conquistar durante a vida. Costumo dizer aos meus amigos, que a morte é o elemento absorvente na equação da existência humana. Todo o poder, riqueza, beleza, e sucesso material se reduz a nada diante dela.

Sermos seres finitos é uma das verdades que mais dói. A vida, apesar dos pesares, tem a sua beleza e doçura, que não são poucas, e a luta pela incansável busca de bens materiais pelo ser humano tem como objectivo provar um pouco deste mel. Uns conseguem, outros não, e no final tudo acaba em tragédia: bebemos todos do cálice da morte. Todavia, uma das coisas mais bonitas que a racionalidade nos permite fazer com certa mestria é converter desvantagens em vantagens, o que significa que, de alguma maneira, esta maldição pode ser convertida em bênção. Capitalizar!

As palavras ''aproveitar'' e ''usufruir'' , segundo os dicionários da língua portuguesa, são sinónimos da palavra ''capitalizar'' no seu sentido figurado. Assim sendo, capitalizar a finitude da existência humana é sinónimo de usufruto e aproveitamento do intervalo do dia em que nascemos até o dia em que morremos. Embora esta ideia pareça formidável e fácil de colocar em prática, ela é difícil na medida em que o conceito ''aproveitar a vida''' varia de nação para nação, país para país, cultura para cultura, mas mais importante ainda, é a sua variação de individuo para individuo. Com isto quero dizer que não existe uma fórmula universal para definir o significado de ''aproveitar a vida'' . É um enigma que deve ser resolvido de maneira individual. Uma equação cujo número de soluções seria directamente proporcional ao número de indivíduos que existiram, existem e existirão (passado, presente e futuro).

Tendo isto em consideração, pode-se destacar a importância do individual na definição da capitalização da finitude da existência humana. Este enigma só é resolvido por aqueles que têm a dedicação e coragem para se conhecerem a si mesmos, tal como Sócrates defendia. Dentre as várias coisas, o auto-conhecimento coloca-nos frente-a-frente com aquilo que faz vibrar os nossos corações e os nossos maiores sonhos e valores. Assim sendo, pode-se concluir que esta é uma ferramenta imprescindível para aqueles que desejam descobrir como aproveitar a vida de uma maneira que faça sentido para si mesmos. Portanto, caro leitor, abrace o autoconhecimento e descubra como gostaria de viver a sua própria vida com senso de realização, orgulho e excitação. Depois de obter a resposta, organize a sua vida e viva de acordo com aquilo que faz sentido para si, que faz vibrar o seu coração desde que não viole os direitos de outrem. A morte pode ser a força motriz para o desbloqueio da coragem que tanto precisamos para viver o que queremos com intensidade. Que jamais nos esqueçamos que embora termine em tragédia, é possível capitalizar a finitude da existência humana.

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Cláudia Beth - Blog pessoal
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